adicionar aos favoritos | São Paulo/SP

10/04/2009 16:31
Daqui a exato 1 ano e 3 meses entrarei numa igreja em Goiânia para celebrar meu casamento com a Thaís e isto me faz pensar muito na expressão “vai virar um homem sério” que as pessoas normalmente dizem quando um homem casa.
A seriedade é algo necessário na vida, mas ao mesmo tempo me abomina. No meu entender, uma coisa é responsabilidade, que é muito inerente ao casamento, principalmente após se ter filhos, outra é se tornar sério. E eu pergunto, pra que se tornar sério?
Há que se separar bem o fato de você fazer algo com a seriedade de quem quer fazer da maneira correta e bem feita e o fato de você estar sempre com a cara amarrada em tudo o que você faz na vida. Encarar a vida a sério, não impede que você seja uma pessoa bem humorada, que tenha grande curtição da vida e de tudo o que acontece. Porém viver sempre sério, preocupado com tudo e com todos é totalmente excludente a viver uma vida bem vivida.
Nos últimos tempos, talvez eu tenha estado mais sério do que tentando levar a vida a sério. Atualmente me sinto mais o oposto do que tenho sido – tranqüilo, curtindo as coisas boas da vida, mas sem deixar de ter responsabilidade e de saber o que eu quero pra mim.
Por conta disto, para tirar um pouco do peso e da seriedade das palavras dos meus poemas e das mensagens que tento passar, decidi, num momento de ócio, escrever o poema abaixo – um poema lúdico sem maiores pretensões. Algo feito por pura diversão, que pode ou não carregar alguma mensagem intrínseca ao meu subconsciente, mas sempre tentando apenas exaltar a forma e a diversão.
A foto foi tirada pelo meu celular, ontem, dia 09/04/2009, no estádio do Morumbi, onde o tricolor, a duras penas, venceu o Defensor do Uruguai pela Copa Santander Libertadores. O jogo terminou 2 x 1, porém o Rogério Ceni tomou um dos maiores frangos da vida dele. Foi no sufoco, mas ganhamos. Rumo ao tetra da Libertadores.
Então, curtam o poema que fiz.
Uma letra diferente
O projeto não anda por falta de verba
O livro não sai por falta de verbo
Na terceira pessoa ela exacerba
Mas na primeira eu que exacerbo
E não sem muita luta
Dirão que estou de luto
Ainda não sei a diferença entre fruta
E o significado da palavra fruto
Mesmo nadando na minha raia
Posso ser morto por um raio
E perdido no vai-e-vem de tua saia
Eu tento, mas daí nunca saio
E se verbo é o que espanta
Um substantivo é o maior espanto
E se uma pessoa muito mal canta
Mandamos que fique quieta num canto
Sem cachorro dentro do mato
Ainda é melhor que tê-lo dentro da mata
E se eu não tiver nada no prato
De que me adianta talheres de prata
Não posso subir se a Terra é plana
Não vou progredir sem ter um plano
Com A eu bebo uma cana
Com O eu entro pelo cano
(Sandro - 20/02/2009)